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Os poderes diferenciados: O Embate entre o Direito e a Politização nos Tribunais

  • 28 de abr.
  • 2 min de leitura

Em uma análise contundente sobre os rumos das instituições brasileiras, o advogado criminal e empresarial Dr. Cláudio Avelar, policial federal aposentado, traz à tona uma discussão essencial: a fronteira entre a aplicação da lei e os interesses políticos que parecem ter se instalado nos tribunais superiores.

Justiça vs. Política: O Limite da Atuação Judicial

O ponto central da crítica reside na função do magistrado. Segundo Avelar, cabe aos políticos fazer política, enquanto aos juízes cabe exclusivamente a aplicação fundamentada da lei. No campo criminal, por exemplo, uma decisão deve se basear estritamente em fatos típicos, antijurídicos e culpáveis registrados no ordenamento jurídico.

O risco surge quando o juiz ignora essa barreira. O entendimento é claro: o juiz não faz lei, ele apenas as aplica e as fundamenta. A "invenção" de decisões baseadas em discordâncias pessoais com a legislação vigente fere o princípio básico do Estado de Direito.

A "Dança das Cadeiras" e o Critério da Amizade

Um dos problemas mais sensíveis abordados é o processo de indicação para cargos de alto escalão e tribunais superiores. Avelar questiona a prática histórica de priorizar "amigos" e indicações políticas em detrimento da capacidade técnica.

Como exemplo do cenário atual, cita-se o processo de avaliação pelo Senado das indicações presidenciais que movem peças estratégicas do governo — como a transição da Advocacia-Geral da União para tribunais. O advogado define esse movimento como uma "dança das cadeiras" que nem sempre privilegia o profissional mais capacitado para exercer a função pública.

O Papel do Advogado e a Ética das Decisões

Enquanto o advogado de defesa trabalha estritamente com os fatos — buscando teses legítimas como a legítima defesa ou a dosimetria justa da pena para seu cliente — surge o questionamento sobre o que move as decisões em esferas politizadas.

Diferente do profissional do Direito, que atua mediante honorários, ou do juiz, que possui salário fixo, as decisões tomadas por interesses políticos levantam dúvidas sobre as motivações reais por trás dos vereditos. Para Cláudio Avelar, essa intersecção entre o direito e a política é perigosa, justamente pela falta de clareza sobre o que se exige em troca em decisões que deveriam ser puramente técnicas.

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